segunda-feira, 10 de junho de 2013

Guerra das vans mata mais um ‘Liga da Justiça’

Operador da linha de vans Cosmos-Cascadura, da cooperativa Rio da Prata, Rodrigo César da Conceição foi executado a tiros sábado à noite, no ponto final da linha, em Cosmos. O crime — supostamente praticado por milicianos, segundo testemunhas e integrantes da própria cooperativa — traz de volta à cena a sangrenta ação de paramilitares para controlar os serviços na Zona Oeste.
Na porta da cooperativa, cartaz acusava a Liga da Justiça pelo crime

Ao longo dos últimos anos, a guerra entre grupos rivais da milícia, principalmente pelo domínio do transporte alternativo, deixou centenas de mortos na região. Quem não se curva à extorsão ou não se submete às ordens dos paramilitares paga com a vida.

                                        
                                                O operador Rodrigo da Conceição

Testemunhas do crime de sábado contaram que Rodrigo estava no ponto final da linha, próximo a uma lanchonete. Sem a preocupação de serem reconhecidos, os criminosos abriram fogo contra a vítima, levando pânico a quem estava por perto.

Apesar de a polícia não confirmar que o crime está relacionado com paramilitares, a associação enviou nota onde relata que, desde o ano passado, os cooperativados sofrem ameaças dos integrantes da milícia ‘Liga da Justiça’ — liderada pelo ex-PM Toni Ângelo.

Os diretores da cooperativa disseram que os motoristas estão com medo e que muitos não foram trabalhar ontem. Eles pretendem pedir audiência com o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, para relatar as ameaças.

Agentes da Divisão de Homicídios — responsáveis pela investigação — estiveram no local, fizeram perícias e ouviram testemunhas. Rodrigo será enterrado hoje no cemitério Jardim da Saudade de Sulacap.

‘Pedágio’ de R$ 400

A cooperativa Rio da Prata tem 700 associados e atua em diversos trajetos entre os bairros de Campo Grande, Sepetiba e Santa Cruz. Segundo os diretores, integrantes da milícia cobrariam valores que vão de R$ 400 semanais a até mesmo a diária inteira dos motoristas, que são ameaçados e agredidos se não pagarem.
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