quarta-feira, 27 de março de 2013

Moradores de Barra do Piraí, se uniram nesta terça-feira num só pedido de Justiça

A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) divulgou nesta quarta-feira a foto da manicure Suzana de Oliveira, de 22 anos, no presídio Joaquim Ferreira de Souza, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Na imagem, ela aparece sem o aplique nos cabelos, que teve que tirar devido às regras da cadeia.
                                 
                      Manicure precisou tirar aplique dos cabelos em presídio

A manicure é acusada de matar João Felipe Eiras de Santana Bichara, de 6 anos, asfixiado com a toalha de um hotelem  Barra do Piraí, no Sul Fluminense.

A família da vítima será ouvida nesta quarta-feira na 88ª DP (Barra do Piraí). Em uma das versões do crime dadas pela manicure, ela afirmou ter tido um relacionamento com o pai do menino, Heraldo Bichar, que também é esperado para prestar depoimento.

                                             População tenta linchar acusada

Moradores de Barra do Piraí, se uniram nesta terça-feira num só pedido de Justiça pelo assassinato do estudante João Felipe. Depois de uma passeata, pelo menos 500 pessoas tentaram invadir a delegacia e linchar a manicure que confessou o crime, ocorrido na segunda-feira. A frieza de Suzana, que trabalhava para a mãe do garoto — a empresária do ramo imobiliário, Eliane Santana —, deixou a população ainda mais indignada.

Pouco depois de matar o menino asfixiado num hotel e esconder o corpo numa mala em casa, ela ainda acompanhou Eliane na saída do colégio e simulou desespero ao lado dela, quando foi informada de que João Felipe supostamente já tinha sido pego pela madrinha, de nome Manoela.

“Segundo testemunhas, ela chorou e abraçou a mãe de João Felipe, consolando”, comentou a professora Márcia Costa, do tradicional Instituto de Educação Nossa Senhora Medianeira.

Pouco depois de 14h, se passando por Eliane, Suzana havia ligado três vezes para o colégio, afirmando que a babá o tinha mandado para a escola por engano e que ele tinha médico. Suzana disse que Manoela o apanharia na escola num táxi.

“Quando o taxista chegou, ele (João Felipe) comentou com uma funcionária da escola: ‘Ué, por que vou ao médico se não estou doente?”, contou Márcia.

Depois de passeata, pelo menos 500 pessoas tentaram invadir a 88ª DP (Barra do Piraí) e linchar a manicure Suzana , que confessou o crime

Suzana já havia reservado quarto no Hotel São Luiz, perto da escola. Segundo funcionário do estabelecimento, ela ficou cerca de meia hora lá com o menino. Depois, saiu com ele nos braços, aparentemente desmaiado, e pegou outro táxi.

“Como a notícia do desaparecimento se espalhou, o recepcionista do hotel ligou para o taxista, seu conhecido, que contactou a polícia”, disse o delegado da 88ª DP , José Mário Salomão.

                                    Confissão acompanhada de histórias

Suzana, que conhecia a família há três anos, só quer prestar depoimento perante o juiz. Na delegacia, só confessou quando a polícia encontrou o corpo do menino em mala na casa dela, mas não demonstrou arrependimento.

“Informalmente, ela contou que queria dar susto no pai de João Felipe (o empresário Heraldo Bichara), com quem, segundo ela, mantinha caso há mais de um ano. Depois, disse que pediria resgate para pagar dívidas de irmão envolvido com drogas”, detalhou José Mário, que indiciou Suzana por homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e emboscada) e ocultação de cadáver.

                                       Drama familiar durante enterro

O corpo de João Felipe foi enterrado pela manhã no Cemitério Recanto da Paz, no Centro. Uma multidão acompanhou o sepultamento. Os pais do menino, que era filho único, passaram mal e tiveram que ser amparados. “Essa tragédia foi uma bomba atômica sobre nossa família”, desabafou o avô de João Felipe, Heraldo Bichara, 71, que em 1955 perdeu a filha Vanusa, assassinada a tiros pelo marido. O filho dele, de mesmo nome, nega relacionamento amoroso com Suzana.

O delegado José Mário Salomão disse que o taxista que pegou o menino na escola está sendo investigado, por enquanto, como testemunha.

Crime brutal choca Barra do Piraí


Cerca de 500 pessoas fizeram protesto em frente à delegacia de Barra do Piraí para pedir uma punição rigorosa à manicure acusada de matar João Felipe
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